Em 11 de agosto de 2026, a Skyfly Technologies Ltd. anunciou a assinatura de uma carta de intenções com o Florida Department of Transportation (FDOT) para estabelecer uma operação nos Estados Unidos no complexo SunTrax, em Auburndale, Flórida. A empresa pretende ocupar o espaço previsto no acordo no quarto trimestre de 2026. O movimento representa sua primeira presença dedicada nos Estados Unidos e ocorre em um momento em que a Flórida amplia a infraestrutura destinada ao desenvolvimento da mobilidade aérea avançada (AAM).
A movimentação reforça o papel da Flórida no desenvolvimento da mobilidade aérea avançada (AAM), dos eVTOLs e da infraestrutura necessária para futuras operações comerciais.
A Aeronave é apenas uma parte do sistema
A entrada de uma empresa de eVTOL em uma estrutura pública de pesquisa e testes revela uma característica importante da AAM: a aeronave é apenas uma parte do sistema.
Para que os voos comerciais sejam viáveis, será necessário coordenar manutenção, energia, operação em solo, treinamento, gestão de dados, infraestrutura de pouso e conexão com outros meios de transporte.
O acordo entre a Skyfly e o FDOT é relevante justamente porque aproxima a fabricante de um ambiente criado para testar tecnologias de transporte e desenvolver capacidades necessárias à futura implantação da mobilidade aérea avançada.
Logística passa a ser parte do projeto de voo
Em uma operação de maior escala, o desempenho da aeronave dependerá também da eficiência do que acontece quando ela está no solo.
Tempo de recarga, disponibilidade de peças, inspeções, preparação para o próximo voo e movimentação de passageiros ou cargas passam a influenciar diretamente a produtividade da frota de eVTOLs.
Por isso, a expansão da AAM tende a criar uma nova cadeia logística. Centros de operação precisarão reunir infraestrutura elétrica, manutenção, armazenamento, sistemas digitais e profissionais especializados.
O planejamento dessa estrutura precisa acompanhar a evolução das aeronaves e não ser tratado apenas depois da certificação.
SunTrax aproxima teste tecnológico e operação prática
O FDOT ampliou o SunTrax para incorporar pesquisa e desenvolvimento relacionados à mobilidade aérea avançada.
Segundo o órgão, o SunTrax Air foi projetado para apoiar o desenvolvimento seguro da AAM e conta com uma pista aérea dedicada a testes. A estrutura também prevê espaços para pesquisa, manufatura leve e montagem final.
Esse ambiente permite testar aeronaves e tecnologias de comunicação em condições controladas, reduzindo a distância entre o laboratório e uma operação que futuramente precisará funcionar em ambientes reais.
Regulação: o espaço entre certificação e operação
Uma aeronave aprovada pelas autoridades de aviação ainda precisa de um ambiente operacional compatível.
É necessário definir onde ela poderá pousar, como será integrada ao espaço aéreo, quais requisitos deverão ser observados em solo e como municípios e estados participarão do processo.
Nos Estados Unidos, a Federal Aviation Administration (FAA) ocupa posição central na certificação e na integração da AAM ao sistema de aviação.
O FDOT, por sua vez, trabalha na infraestrutura, no planejamento estadual e na articulação com governos locais, indústria e instituições de pesquisa.
A experiência da Flórida mostra por que essas frentes precisam avançar simultaneamente.
Vertiportos serão nós logísticos da mobilidade aérea
À medida que a AAM avançar, os vertiportos deverão assumir funções semelhantes às de pequenos terminais multimodais.
Além da área de pouso, precisarão oferecer sistemas de carregamento, gerenciamento de aeronaves, atendimento ao passageiro e integração com o transporte terrestre.
Para operações de carga, a lógica é semelhante: o valor do eVTOL dependerá da rapidez com que uma encomenda puder passar do centro logístico para a aeronave e, depois, para seu destino final.
A localização dos vertiportos, portanto, será uma decisão logística tanto quanto uma decisão aeronáutica.
Energia entra definitivamente na equação
A eletrificação modifica a infraestrutura necessária para a operação.
Uma frota comercial exigirá capacidade de carregamento compatível com os horários de maior demanda, além de sistemas para administrar a disponibilidade das aeronaves e o uso das baterias.
Esse desafio conecta a AAM ao planejamento energético regional.
A expansão de vertiportos precisará considerar a capacidade da rede elétrica, a potência disponível e a possibilidade de sistemas complementares de armazenamento.
Mão de obra também é infraestrutura

O desenvolvimento da AAM exige pilotos, técnicos de manutenção, engenheiros, especialistas em sistemas elétricos e profissionais capazes de operar novas ferramentas digitais.
O FDOT anunciou parcerias com a Embry-Riddle Aeronautical University e o Polk State College para desenvolver treinamento e credenciais voltados a essas novas funções.
Isso mostra que infraestrutura, nesse contexto, não significa apenas concreto, pistas ou equipamentos.
Conhecimento e mão de obra qualificada também fazem parte da capacidade operacional de um polo de mobilidade aérea.
Segurança operacional e formação profissional ganham importância
A Flórida está tentando construir simultaneamente infraestrutura, capacidade técnica e ambiente institucional para a AAM.
O estado também foi selecionado para liderar o desenvolvimento de políticas de segurança e operação de eVTOL e AAM dentro do programa federal de integração da FAA.
Essa combinação cria um ambiente particularmente interessante para fabricantes que pretendem entrar no mercado americano.
Para a Skyfly, a instalação no SunTrax pode oferecer proximidade com testes, formação profissional, oportunidades de financiamento e articulação regulatória.
Debate se acentua em um ambiente de nova tecnologia
O principal aprendizado não está apenas no modelo de aeronave, mas na forma de estruturar o ecossistema.
A AAM exige coordenação entre fabricantes, operadores, órgãos de aviação, governos estaduais e municipais, empresas de energia, centros de pesquisa e infraestrutura de transporte.
No Brasil, a expansão dos eVTOLs também dependerá dessa coordenação.
Certificação é indispensável, mas não resolve sozinha questões como localização de vertiportos, acesso à energia, manutenção, treinamento, integração multimodal e procedimentos operacionais.
A experiência da Flórida sugere que esses temas precisam ser tratados enquanto a tecnologia ainda está em desenvolvimento.
Esperar a chegada das primeiras operações comerciais para iniciar o planejamento logístico pode criar gargalos justamente quando o mercado começar a crescer.
O verdadeiro teste começa antes do voo comercial
O acordo entre Skyfly e FDOT sinaliza uma mudança importante na discussão sobre mobilidade aérea avançada.
O foco começa a migrar da simples demonstração de aeronaves para a construção do ambiente necessário para que elas operem de maneira segura, regulada e economicamente sustentável.
O futuro da AAM será determinado não apenas pela autonomia ou pelo desempenho dos eVTOLs, mas pela capacidade de integrar aeronaves, infraestrutura, energia, logística, mão de obra e regulação em um único sistema.
Nesse sentido, o SunTrax pode se tornar um laboratório não apenas para testar aeronaves, mas para testar o próprio modelo operacional que sustentará a próxima geração do transporte aéreo.
Referências
Skyfly Technologies Ltd. — Skyfly Signs Letter of Intent with Florida Department of Transportation (FDOT) to Establish U.S. Operations Hub in Florida at SunTrax. Skyfly Technologies Ltd. — comunicado sobre o acordo com o FDOT
Florida Department of Transportation — Governor Ron DeSantis Highlights Florida’s One-of-a-Kind Facility to Advance the Future of Transportation (10 August 2026).
Florida Department of Transportation — Advanced Air Mobility. FDOT — Advanced Air Mobility
Florida Department of Transportation — Advanced Air Mobility Business Plan: Florida’s Aerial Highway Network (November 2025).





