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O Risco Invisível na Manutenção Aeronáutica

Imagem ilustrativa sobre a fadiga do Mecânico de Aeronaves
Foto de Flávio Santos

Flávio Santos

1 de agosto de 2026

A fadiga raramente aparece nos relatórios, mas pode estar por trás de erros de manutenção. Reconhecê-la como risco operacional é essencial para prevenir acidentes.

Quando o erro aparece, a fadiga geralmente já passou despercebida

Há uma curiosidade inquietante nos relatórios de investigação aeronáutica brasileiros: dificilmente encontraremos a palavra fadiga como fator contribuinte associado ao Mecânico de Manutenção Aeronáutica (MMA).

Mas isso não significa que ela não estivesse presente.

Talvez apenas tenha se escondido atrás de expressões como desatenção, falha procedimental, julgamento inadequado, esquecimento ou erro de execução. A fadiga raramente assina um relatório. Ela costuma deixar apenas suas impressões digitais.

A segurança operacional começa nas condições de trabalho da manutenção.

Nos países com maior maturidade em Segurança Operacional, esse assunto deixou de ser um tabu. FAA, EASA e diversas organizações reconhecem que a fadiga não é uma deficiência do profissional, mas um risco operacional que deve ser gerenciado.

Você aceitaria entrar em uma sala de cirurgia sabendo que o médico responsável está visivelmente exausto após uma longa jornada de trabalho?

Então por que considerar aceitável embarcar em uma aeronave cuja manutenção pode ter sido realizada por um profissional sem qualquer controle efetivo sobre sua jornada?

A fadiga não é uma justificativa. É um fator de risco. E fatores de risco precisam ser identificados, gerenciados e mitigados antes que contribuam para a próxima ocorrência aeronáutica.

A aeronave mais segura do mundo ainda depende da lucidez humana.

Porque a aeronave mais segura do mundo continua dependendo da lucidez das pessoas que a mantêm aeronavegável?

A verdadeira pergunta não é se a fadiga já contribuiu para acidentes na manutenção.

A pergunta é: estamos preparados para reconhecê-la antes que ela apareça no próximo relatório?

Autor: Carlos Augusto – Assistente Técnico em Segurança Operacional Aeronáutica

Profissional com mais de 30 anos de experiência em Segurança de Voo e Gestão da Segurança Operacional (SGSO), graduado em Segurança do Trabalho, Master Practitioner em Programação Neurolinguística (PNL) e MBA em Gestão Aeroportuária em andamento. Atua como COAer no IBAMA e Diretor do Instituto XSATI, com sólida experiência na gestão de riscos, cultura de segurança, investigação e prevenção de acidentes aeronáuticos. Possui expertise em aviação pública e civil, aviação agrícola, operações com RPAS (drones) e Mobilidade Aérea Avançada (AAM), com destaque para o desenvolvimento de iniciativas voltadas aos eVTOL. Coordenou o primeiro curso nacional de capacitação operacional para aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, contribuindo para a preparação do setor aeronáutico brasileiro diante das novas tecnologias. Também é idealizador do Projeto de Lei nº 6.412/2025, que institui o Dia do Mecânico Aeronáutico, e atua no desenvolvimento institucional, na inovação aeronáutica e na implementação de soluções voltadas ao fortalecimento da segurança operacional e à melhoria contínua dos processos.

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Flávio Santos

Certificado em Segurança de Voo pelo CENIPA | Profissional em Fotografia e Design Gráfico | Graduado em Letras - Língua Portuguesa pela UnB

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Respostas de 2

  1. Excelente artigo, realmente a FADIGA DO MMA nao é falada e nao e reconhecida a exemplo do que ja aconte com.osmdemais profissionais da aviação, e isso deixa uma lacuna quanto ao trabalho desses profissionais MMA na manutenção, fator altamente sensível, e que precisa ser estudado para o aumento da segurança operacional.

    1. Exatamente, Firmino. A fadiga dos profissionais de Manutenção de Aeronaves (MMA) ainda precisa de maior atenção na segurança operacional. O Fator Humano é determinante, pois carga horária, pressão operacional e descanso podem influenciar diretamente a execução da manutenção. Essa é uma realidade muito observada na “na ponta da linha” das operações aéreas.

      O estudo e o reconhecimento dessa questão é essencial para reduzir riscos, fortalecer a cultura de segurança e tornar a aviação cada vez mais segura.

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